Bonecos de Santo Aleixo: Próximas datas
Estes títeres tradicionais parecem ter tido a sua origem na aldeia que lhes deu o nome.
São títeres de varão, manipulados por cima, à semelhança das grandes marionetas do Sul de Itália e do Norte da Europa, mas diminutos, de vinte a quarenta centímetros.
O estojo de bonecos e textos tradicionais, que eram somente transmitidos via oral, chegaram às mãos de Ti’Manel Jaleca através da sua mulher, que os recebeu directamente dos seus antepassados. Manuel Jaleca, que manteve o espectáculo durante algumas décadas, conheceu entretanto António Talhinhas, camponês dotado de grande poder de improvisação e cantador, que veio a imprimir grande dinâmica à companhia, acabando por comprar todo o espólio, passando Jaleca a seu empregado.
Os Bonecos que hoje se apresentam, foram pertença da família Talhinhas durante cerca de três décadas e, a partir de 1967, “dados a conhecer ao mundo culto” por Michel Giacometti e Henrique Delgado.
Os Bonecos de Santo Aleixo, propriedade do Centro Dramático de Évora, são manipulados por “uma família”, constituída por actores profissionais, que garantem a permanência do espectáculo, assegurando assim a continuidade desta expressão artística alentejana.
Conhecidos e apreciados em todo o país, com frequentes deslocações aos locais onde tradicionalmente se realizava o espectáculo, os Bonecos de Santo Aleixo participaram também em muitos certames internacionais e são anfitriões da BIME – Bienal Internacional de Marionetas de Evora, que se realiza desde 1987.
SOBRE O ESPECTÁCULO
O essencial dos meios utilizados é composto por um lugar de representação chamado retábulo, construído em madeira e tecidos floridos, reproduzindo um palco tradicional em miniatura com pano de boca, cenários pintados em papelão e iluminação própria (candeia de azeite); os Bonecos são realizados em madeira e cortiça, medem entre 20 e 40 centímetros de altura e são vestidos com um guarda-roupa que permite, como no teatro naturalista, identificar as personagens da fábula contada.
A música (guitarra portuguesa) e as cantigas são executadas ao vivo.
Os textos, transmitidos oralmente, resultam de uma fusão entre a cultura popular e uma escrita erudita.
REPORTÓRIO RECOLHIDO:
• Aldonso e Doroteia
• Auto da Criação do Mundo
• Auto do Nascimento do Menino
• Baile dos Anjinhos
• Baile dos Cágados
• Baile das Cantarinhas
• Confissão da Beata
• Confissão do Mestre Salas
• Contradança
• Filomena e Zeferino
• Fado do Senhor Paulo d’Afonseca e da Menina Virgininha
• Lará
• Os Martírios do Senhor
• Passo do Barbeiro
• Saiadas
• Sermão do Padre Chancas
FICHA TÉCNICA:
Atores / manipuladores: Ana Meira, Carolina Pequito *, David Russo *, Gil Salgueiro Nave, Isabel Bilou, José Russo, Vitor Zambujo.
Acompanhamento musical: Gil Salgueiro Nave e David Russo *.
DATAS E ESPETÁCULOS:
2026
2 de abril, 21h30. Sociedade Recreativa de Aldeia da Serra. Redondo
27 de março, Fórum Cultural José Manuel Figueiredo. Baixa da Banheira
15 de Março, 21h30, Cineteatro S. João em Palmela
4 de janeiro, 17h00, Caldas da Rainha.
2025
4 de janeiro, 16h00 e 21h30 – Sociedade Recreativa Sanluizense, São Luís. Vila Nova de Milfontes
13 de Maio, 14h30, Auditório Municipal, Ermidas do Sado
20 de maio, 20h00, Sevilha – Consulado Geral de Portugal
5 de junho, 21h00. Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende ( BIME )
7 de junho, 19h30. Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende ( BIME )
12 julho, em Gondomar – Festival Ei Marionetas – 21h30
19 de setembro, Santa Susana 21h30
20 de setembro, Loulé
21 de setembro, Vila Franca de Xira – Palácio do Sobralinho – 18h00
26 setembro, Almada – Teatro-Estúdio António Assunção 21h30
27 setembro, Almada – Teatro-Estúdio António Assunção 21h30
15 de novembro, Teatre Municipal Benicàssim (Valência), 18h30
21 de novembro, Museu da Marioneta, 19h30
22 de novembro, Museu da Marioneta, 2 sessões: 17h00 e 19h30
De 16 a 20 de dezembro, no Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende. Évora
às 19h00, e na sexta e sábado às 21h30
2024
20 de abril, 21h00 – Casa da Cultura, Mora
23 de abril, 19h30 – Dia da inauguração da exposição no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), Lisboa
5 de maio, 17h00 – MAAT, Lisboa
10 de maio, 21h30 – Sociedade Recreativa Sanluizense, São Luís – V.N. Milfontes
11 de maio, 16h00 e 21h30 – Sociedade Recreativa Sanluizense, São Luís – V.N. Milfontes
12 de maio, 16h00 e 19h00 – Sociedade Recreativa Sanluizense, São Luís – V.N. Milfontes
18 de maio, 18h00 – MAAT, Lisboa
19 de maio, 16h30 – Casa da Música Jorge Peixinho, Montijo
8 de junho, 18h00 – MAAT, Lisboa
9 de junho, 16h00 e 21h30 – Teatro-Estúdio António Assunção, Almada
10 de junho, 16h00 – Teatro-Estúdio António Assunção, Almada
23 de junho, 17h00 – MAAT, Lisboa
28 de junho, 21h30 – Cine Teatro Avenida, Castelo Branco
7 e 8 de setembro, 18h30 – Sociedade Vencedora Portimonense, Portimão
18 de outubro, – Teatro-Estúdio António Assunção, Almada
1 de novembro, 21h00 – Biblioteca Júlio Dantas, Lagos
28, 29 e 30 de novembro, 20h30 – Museu da Marioneta, Lisboa
8 de dezembro, 18h00 – Montoito
13 de dezembro, 21h00 – Casa do Povo, Freixo
14 de dezembro, 18h00, no auditório do Centro Cultural de Redondo
16 a 21 de dezembro, 18h30- Biblioteca Pública de Évora
Anos anteriores fora do registo desta folha
Teatro às Três Pancadas
“Teatro às Três Pancadas” é um original de António Torrado, do qual serão apresentadas três peças, com encenação de Jorge Baião. “Serafim e Malacueco na Corte do Rei Escama”, “As Três Abóboras” e “Os Quatro Pés do Trono” são três dos textos que podem ser encontrados no livro ‘Teatro às Três Pancadas’, obra incluída no plano nacional de leitura. Segundo o autor, estas peças foram inspiradas em histórias tradicionais e contos que, adaptados pelo próprio, desencadearam a sua transformação em obras teatrais.
Em “Teatro às Três Pancadas” uma trupe de saltimbancos caminha de terra em terra para apresentar o seu espetáculo, onde música transforma o caminho em festa. Na carroça que puxam, transportam um mundo imaginário, onde não faltam reis, piratas, ilhas, guardas, palácios, magos, cortesãos, mendigos, camponeses… e “o prazer irresistível de inventar o Teatro”. Entramos assim no mundo da imaginação como se entra num sonho que nos leva a um universo transformador, que nos permite ser o que quisermos. É nesse universo de transformação, onde vivem as personagens destas histórias, cujas aventuras pretendem cativar tanto crianças e jovens como os adultos.
Jorge Baião, encenador
António Torrado nasceu em Lisboa, mas com raízes familiares na Beira Baixa. Foi poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia e de investigação pediográfica, por excelência um contador de histórias, estando muitos dos seus livros e contos traduzidos em várias línguas. Foi jornalista, editor, professor, produtor principal e chefe do Departamento de Programas Infantis da RTP. A sua bibliografia regista atualmente mais de 120 títulos, onde sobressai a produção literária para crianças, contemplada em 1988, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças. Livros seus foram, em 1974 e 1996, incluídos na Lista de Honra do IBBY – Internacional Board on Books for Young People. Segundo o crítico e investigador José António Gomes, “Torrado impôs-se como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura do pós-25 de abril e dificilmente se encontrará hoje um autor que, de forma tão equilibrada, saiba dosear em livro o humor, a crítica e os sinais de um profundo conhecimento do imaginário infantil.”
FICHA TÉCNICA:
Autor: António Torrado | Interpretação: Beatriz Sousa, Fabrisio Canifa, Ivo Luz, Luís Bonito e Maria Marrafa | Encenação: Jorge Baião | Cenário, figurinos e adereços: Filipa Malva | Música e ambiente sonoro: António Bexiga | Desenho de luz: António Rebocho | Operação luz e som: Beatriz Sousa | Tradução LGP: Associação de Surdos de Évora – Núria Galinha | Fotografia e vídeo: Carolina Lecoq | Design gráfico: Alexandra Mariano | Execução de figurinos: Adozinda Cunha e Eliana Valentine | Execução de cenário: Serralharia Pedro & Pegacho, Lda e Tomé Baixinho | Apoio execução de adereços e cenário: Coletivo de atores | Comunicação: Helena Estanislau | Direção técnica: António Rebocho | Direção de produção: Tânia da Graça (Claudia Silvano – 1ª fase) | Produção e direção de cena: Beatriz Sousa | Programação e Produção em digressão: Patrícia Hortinhas | Apoio administrativo: Inês Guerra | Apoio técnico da equipa do TGR: Ana Duarte, Carlos Mavioso, Margarida Mouro, Miguel Madeira, Paulo Carocho e Tomé Baixinho | Distribuição: Vítor Fialho | Limpeza: Fernanda Rochinha | Estágio do Curso Profissional de Artes do espetáculo do Agrupamento de Escolas dos Templários de Tomar: Daniela Santos
Agradecimentos: Câmara Municipal de Évora, Centro de Recursos do Património Cultural Imaterial Municipal, Do Imaginário – Associação Cultural, José Baltazar, Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba e Sol Luz.
2026:
Teatro Garcia de Resende
10 a 13 – 10h30 e 14h30 – publico organizado
14 e 15 – 16h00 – publico geral
Dia 27 de março. Dia Mundial do Teatro – Sessão geral, às 19h00
(gratuito e apenas na bilheteira do teatro)
Viana do Castelo
31 de maio
DATAS ANTERIORES:
2025:
Festival Sementes, Teatro-Estúdio António Assunção. Almada
24 de maio, 11h00 e 16h00.
Viana do Castelo
26 de julho, 17h00
Mafra
13 de setembro, 16h00
Theatro Gil Vicente, Barcelos
11 de Maio, 16h00,
Teatro Lethes, Faro
30 de Abril, 10h30, 2025
Évora – Teatro Garcia de Resende
20 a 24 de janeiro, 10h30 e 14h30. 2025
(Sessões para escolas)
Faro – Teatro LeThes, ACTA
30 de abril, 10h30. 2025
Montemuro
24 de novembro, 2024
16h00 – Serões na Serra, Teatro do Montemuro
Arraiolos
28 de junho, 2024
Teatro Garcia de Resende
13 a 15 de maio, 2024 – Sessões para escolas:
10h00 e às 14h30
Sociedade Recreativa E Dramática Eborense
10 de maio, 2024
15h00
Associação de Moradores do Bairro do Bacelo
6 de maio, 2024
15h00
Associação de Moradores do Bairro de Almeirim
3 de maio, 2024
14h30
Grupo Cultural e Desportivo Santa Maria e Fontanas
2 de maio, 2024
14h30
Casa do Povo dos Canaviais
26 de abril, 2024
15h00
Casas Pintadas, Feira do Livro, Évora
21 de abril, 2024
Salão Desportivo Unidos da Giesteira
19 de abril, 2024
Casa do Povo de N- Sra. de Machede
18 de abril, 2024
Centro de Dia de S. Manços
17 de abril, 2024
Grupo União e Recreio Azarujense
16 de abril, 2024
Centro Cultural do Redondo
10 de abril, 2024
Teatro Garcia de Resende
14 a 24 de março, 2024
Quarta a sábado às 19h00
Domingos às 16h00
Sessões para escolas nos dias 20, 21 e 22 às 11h00
Sessões em LGP dias 16, 23 e 27
Sessão no Dia Mundial do Teatro às 21h30
Bilhetes disponíveis na bilheteira do Teatro Garcia de Resende e online em bol.pt.
Contacto da bilheteira:
Telefone: 266 703 112
E-mail: geral @ cendrev.com
Segunda a sexta-feira: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Em dias de espetáculo: abertura duas horas antes do início
Aos sábados e domingos de manhã: abertura uma hora antes do início do espetáculo
Não se efetuam reservas.
Embarcação do Inferno
Co-produção entre CENDREV – Centro Dramático de Évora e A Escola da Noite.
Estreado em 2016 no Teatro Garcia de Resende, com encenação de António Augusto Barros e José Russo, “Embarcação do Inferno” mantém-se em cena até hoje, tendo sido apresentado em mais de 226 sessões. Foi visto por mais de 24 mil espectadores (2025).
A obra de Gil Vicente é uma marca incontornável nos repertórios d’A Escola da Noite e do Cendrev, que partilham o gosto por trabalharem sempre o texto original, ainda que por meio de abordagens cénicas contemporâneas.
No ano em que se assinalaram os 500 anos da primeira apresentação do “Auto de Moralidade da Embarcação do Inferno”, também conhecido como “Auto da Barca do Inferno”, os dois grupos decidiram montar o mais estudado e mais emblemático texto vicentino. As companhias assumem a vontade de celebrar com o público este momento fundador do Teatro português: Gil Vicente não é “apenas” o nosso maior dramaturgo, ele é uma das figuras cimeiras da nossa literatura e da nossa cultura, pese embora o insistente esquecimento a que tem sido votado. À falta de datas precisas de nascimento e morte, é a sua obra que pode e deve ser comemorada, em particular o “Auto da Barca do Inferno”, obra maior da Idade Média europeia.
A peça tem cumprido uma intensa digressão por todo o país (16 localidades, 211 sessões, mais de 22.205 espectadores * ).
As duas companhias convidam assim os espectadores a voltarem a olhar para a peça e a confrontarem-se com tudo o que ela continua a ter para nos oferecer, cinco séculos depois. No texto que escreveu para o programa do espetáculo, o consultor científico do projeto, José Augusto Cardoso Bernardes, salienta: “pela mão qualificada, segura e inventiva da Escola da Noite e do Centro Dramático de Évora, ficamos em condições de problematizar temas de sempre: Morte e Vida, Mal e Bem, Ter e Poder. E, para tal, nem sequer precisamos de sair completamente do século XXI. Com os pés assentes no nosso tempo, bastará alongar o ouvido e apurar a visão para escutar a sensibilidade e a moral de um outro tempo que, afinal, não está ainda tão afastado de nós como pode parecer.”
O espetáculo é co-encenado pelos diretores artísticos das duas companhias – António Augusto Barros e José Russo e conta com um elenco de ambas as companhias. A equipa inclui ainda Ana Rosa Assunção (figurinos e bonecos), João Mendes Ribeiro e Luisa Bebiano (cenografia), António Rebocho (iluminação) e Luís Pedro Madeira (música).
As duas companhias convidam assim os espectadores a voltarem a olhar para a peça e a confrontarem-se com tudo o que ela continua a ter para nos oferecer, cinco séculos depois. No texto que escreveu para o programa do espectáculo, o consultor científico do projecto, José Augusto Cardoso Bernardes, salienta: “pela mão qualificada, segura e inventiva da Escola da Noite e do Centro Dramático de Évora, ficamos em condições de problematizar temas de sempre: Morte e Vida, Mal e Bem, Ter e Poder. E, para tal, nem sequer precisamos de sair completamente do século XXI. Com os pés assentes no nosso tempo, bastará alongar o ouvido e apurar a visão para escutar a sensibilidade e a moral de um outro tempo que, afinal, não está ainda tão afastado de nós como pode parecer.”
“Embarcação do Inferno” tem percorrido o país, representou Portugal no Festival Internacional de Teatro Clássico de Almagro (ES) e conta com 211 sessões e mais de 22.200 espectadores até ao momento.
FICHA TÉCNICA:
2026
Teatro Garcia de Resende. Évora
13 a 23 de janeiro
Terça a sexta, 11h00 e 15h00
23 de janeiro
Sessão para publico geral às 19h00
Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra
29 de janeiro a 6 de fevereiro 2026
Sessões para escolas: Segunda a sexta 11h00 e 15h00
Número de espectáculos+226
Realizou-se mais uma temporada com o espetáculo, no Teatro Garcia de Resende em Évora de 15 a 19 e 22 a 26 de Janeiro de 2024,.
Sessões para público escolar (9º/10º/11º/12º) às 11h00 e 15h00.
Sessão para público, 20 de janeiro às 19h00
Ao todo, foram 16 sessões para escolas e associações de pensionistas e reformados pertencentes aos distritos de Évora e Beja (Évora, Moura, Beringel, Beja, Cuba, Vidigueira, Arraiolos, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Alvito, Serpa, S. Manços, Torre de Coelheiros, Boa Fé, Giesteira, Azaruja), contabilizando um total de 1668 espetadores.
Sessão 190 da Embarcação do Inferno, no Teatro da Cerca de S. Bernardo.
Coímbra, 11 de Janeiro de 2023.
Com Rosário Gonzaga, Ricardo Kalash, Jorge Baião, Ana Meira, José Russo, Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Maria Marrafa.
Excerto da edição de 15/11/2016 do programa "Literatura Aqui", da RTP 2
Um Sonho
Agnès, filha do deus Indra, desce à terra para perceber como vivem os humanos.
Nessa imersão iniciática, vai encontrar três figuras coadjuvantes – o Oficial, o Advogado e o Poeta – estilhaços oníricos da biografia do próprio autor, Strindberg, por essa altura empenhado na construção de um novo teatro que pudesse revelar, na esteira das grandes discussões filosóficas da época, de Schopenhauer a Freud, o vasto território do inconsciente e dos sonhos.
No caleidoscópio de figuras e situações com que Agnès se depara no decurso da viagem aparecem os grandes temas de Strindberg: a família e o casamento, as desigualdades sociais mais gritantes que a revolução industrial agudizou, a justiça “que serve todos menos os que servem” e a Escola, encalhada no tempo e no espaço.
O encontro último com o Poeta, irmão e cúmplice na aventura da exigência de uma humanidade mais justa, aproxima-os da música e da poesia, das artes, que, tal como o sonho, são “maiores do que a realidade”.
A. A. Barros
August Strindberg foi um dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta e pintor sueco. Escritor prolífico que frequentemente se inspirava diretamente em suas experiências pessoais, Strindberg escreveu mais de 60 peças e mais de 30 obras de ficção, autobiografia, história, análise cultural e política durante sua carreira, que se estendeu por quatro décadas. Um experimentador ousado e iconoclasta ao longo de toda a sua vida, explorou uma ampla gama de métodos e propósitos dramáticos, desde a tragédia naturalista, o monodrama e as peças históricas até às suas antecipações das técnicas dramáticas expressionistas e surrealistas.
Desde os seus primeiros trabalhos, Strindberg desenvolveu formas inovadoras de ação dramática, linguagem e composição visual. É considerado o «pai» da literatura sueca moderna e a sua obra A Sala Vermelha (1879) tem sido frequentemente descrita como o primeiro romance sueco moderno. Na Suécia, Strindberg é conhecido como ensaísta, pintor, poeta e, especialmente, romancista e dramaturgo, mas noutros países é conhecido principalmente como dramaturgo.
Encenação e dramaturgia António Augusto Barros
interpretação Ana Meira, Ana Teresa Santos, Igor Lebreaud, Ivo Luz, Jorge Baião, José Russo, Maria Marrafa, Maria Quintelas, Miguel Magalhães, Ricardo Kalash e Rosário Gonzaga
tradução Cristina Reis, Luís Miguel Cintra e Melanie Mederlind
espaço cénico João Mendes Ribeiro, Luísa Bebiano e António Augusto Barros
desenho de luz António Rebocho
composição musical e preparação vocal Carlos Meireles
paisagens sonoras Carlos Meireles e Zé Diogo
figurinos e adereços Ana Rosa Assunção
direcção técnica e de montagem António Rebocho e Rui Valente
operação técnica Beatriz Sousa e Fabrísio Canifa (TGR), Danilo Pinto, Diogo Lobo e Zé Diogo (TCSB)
execução de cenografia Carpintaria Adriano J. N. Viana e Pedro & Pegacho LDA.
execução de figurinos Adozinda Cunha, Eliana Valentine e Maria do Céu Simões
execução de adereços Ana Rosa Assunção, Danilo Pinto, Ivo Luz e Rui Valente
direcção de cena Miguel Magalhães
imagem Ana Rosa Assunção
fotografia e vídeo Carolina Lecoq
comunicação Eduardo Pinto, Helena Estanislau, Juliana Roseiro, Mariana Banaco e Pedro Rodrigues
materiais gráficos Alexandra Mariano
produção Beatriz Sousa e Eduardo Pinto
interpretação em Língua Gestual Portuguesa Associação de Surdos de Évora – Núria Galinha (TGR), Andreia Esteves e Jéssica Ferreira (TCSB)
equipa técnica do TGR Ana Duarte, Carlos Mavioso, Margarida Mouro, Sílvia Rosado, Tomás Catalão e Tomé Baixinho
distribuição Vítor Fialho (TGR)
limpeza TGR Fernanda Rochinha
limpeza e bar TCSB Cláudia Natividade
assistentes de sala do TCSB Ana Marques, Ândria do Ó, Bruna Marques, Carolina Rocha, Cláudia Morais, Luís Henrique Monteiro, Maria Dias, Nilce Carvalho e Patrícia Mendonça
fragmentos musicais “Masquerade Suite”, de Aram Khachaturian, “Tabula Rasa” e “Pärt Sequentia” de Arvo Pärt, “Toccata and Fugue in D Minor, BWV 565”, de J. S. Bach, “The Second Waltz”, de Dmitri Shostakovich e “The Hebrides Overture, Op. 26, (Fingal’s Cave)”, de Felix Mendelssohn
agradecimentos
Câmara Municipal de Évora
Uma co-produção do CENDREV e A Escola da Noite 2025-26
Teatro Garcia de Resende, Évora
Teatro da Cerca de S. Bernardo, Coimbra
4 a 14 de dezembro, 2025
Nota: dia 11 de dezembro não haverá espetáculo (*)
Sessões com interpretação em língua gestual portuguesa dias 25 de outubro e 1 de novembro
140’ (com intervalo) M/12
8€ (Descontos: > 65 anos, Reformados, Associados ACDE, Cartão Estudante, Crianças < 12 anos, Famílias, Funcionários C.M.E., Grupos e Passaportes Teatro)
Sessão de quarta-feira com preço único de 3€!
266 703 112 / geral@cendrev.com/ www.cendrev.pt
– Em alguns momentos do espetáculo, é utilizado cigarro eletrónico
(*)
1.º CARVOEIRO:
“E pensar que é sobre nós que a sociedade assenta. Se não recebessem carvão deixava de haver lume no fogão da cozinha, na lareira da casa, na máquina da fábrica. Apagavam-se as luzes nas ruas, nas lojas, nas casas. A escuridão e o frio caíam-vos em cima… e por isso é que nós suamos como no inferno para vos trazer este carvão negro… Que nos dão em troca?”
August Strindberg, “Um Sonho” (1901)
A Escola da Noite e o Cendrev informam que, devido à Greve Geral convocada para o próximo dia 11 de dezembro, não será apresentada a sessão do espectáculo “Um Sonho” marcada para esse dia.
A adesão à Greve é uma decisão individual de cada trabalhador/a, que as duas companhias respeitam. No caso do Teatro, arte feita em colectivo, o exercício desse direito por parte dos/as trabalhadores/as impede a apresentação do espectáculo, como é facilmente compreensível por parte do público.
Enquanto entidades empregadoras que também são, A Escola da Noite o Cendrev defendem sem reservas a defesa dos direitos dos/as trabalhadores/as, alguns dos quais demoraram dezenas de anos a serem conquistados. Enquanto estruturas de criação artística comprometidas com a democracia, a liberdade e o serviço público, A Escola da Noite e o Cendrev acompanham as preocupações com as propostas de alteração ao Código do Trabalho que motivam esta Greve.
A temporada em Coimbra do espectáculo retoma na sexta-feira, dia 12 de Dezembro, e prolonga-se até domingo, dia 14, com sessões às 21h30 (sexta e sábado) e às 16h00 (domingo).
Autos da Revolução
É o próprio Lobo Antunes que diz: “Não consigo conceber uma história onde as personagens não tenham carne”. Por isso é que as suas criaturas romanescas se encarnam tão naturalmente sobre um palco. Hoje, para falar da Revolução quarenta * anos depois e na situação dramática em que Portugal se encontra, pareceu-me imperativo convocar a linguagem e as imagens interiores deste imenso escritor, sabemos que apenas nos apoiando em poetas rebeldes podemos dar conta dum mundo que mete medo. António Lobo Antunes, ao dirigir o seu olhar para o passado, recusa-se a contribuir para a edificação duma lenda dourada do 25 de Abril. As personagens que cria nos romances que colocam a Revolução como tela de fundo não são nenhuns heróis, mas pessoas comuns, cheias de contradições, que levam uma vida anónima nas margens dos acontecimentos históricos. O espetáculo propõe os relatos cruzados de diferentes personagens: um operário carregador de mudanças, um empregado de escritório militante maoista, uma camponesa explorada numa Quinta, uma burguesa caridosa e um dono de empresas. Cada um recorda o seu 25 de Abril e conta o que sucedeu com ele. Desta confrontação nascem, por certo, perguntas inevitáveis com o andar do tempo e à luz da fervura que sacode o país atualmente.
Pierre-Étienne Heymann (2014) *
“Não podemos deixar fechar as portas que Abril abriu”
Como é sabido, o projeto teatral criado em Évora em janeiro de 1975 é, naturalmente, filho legítimo da revolução portuguesa. Daí que, quando o Ministério da Cultura nos lançou o desafio para integrar a programação das celebrações dos cinquenta anos do 25 de Abril, surgiu de imediato a ideia de voltar, mais uma vez, aos textos de António Lobo Antunes. Estes tinham resultado já num primeiro espetáculo em 2004 e numa segunda abordagem, em 2014, numa parceria do CENDREV com a ACTA – Companhia de Teatro do Algarve, ambos os projetos com dramaturgia e direção do nosso amigo Pierre-Étienne Heymann – homem de teatro, profundamente conhecedor da obra deste autor que se debruçou sobre a revolução portuguesa em várias das suas obras.
Convocámos este painel de personagens, desenhados pela poética e perspicácia de Lobo Antunes, para confrontar o público com um conjunto de olhares e inquietações sobre esses acontecimentos que transformaram profundamente a vida do povo português.
Com a Revolução de Abril, não foi conquistada apenas a liberdade e a democracia política, criaram-se também condições para notáveis avanços civilizacionais que hoje estão a ser profundamente delapidados. Sendo o teatro um espaço privilegiado de encontro e reflexão dos homens, este acontecimento maior da nossa História não podia deixar de constituir matéria do nosso trabalho.
CENDREV (2024)
Prólogo e epílogo (A partitura) de Auto dos Danados (1985) e Conhecimento do inferno (1980); Abílio e Militante de Fado Alexandrino (1983); Sofia, Filha do caseiro, Banqueiro de O Manual dos Inquisidores (1996) (Publicações Dom Quixote).
Canções:
El dia que me quieres (Carlos Gardel/Alfredo Le Pera)
Fadinho da prostituta da rua de Santo António da Glória (A.L. Antunes/Vitorino)
Fado Alexandrino (popular)
Espetáculo acompanhado da exposição itenerante LIBERDADE! LIBERDADE! A REVOLUÇÃO NO TEATRO
Integrado nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.
FICHA TÉCNICA:
Autor: António Lobo Antunes | Seleção de textos e dramaturgia: Pierre-Étienne Heymann | Direção: Gil Salgueiro Nave e José Russo | Interpretação: Ana Meira, Carolina Pequito, Ivo Luz, Jorge Baião, José Russo e Mariana Ramos Correia | Direção musical: Gil Salgueiro Nave | Execução musical: Mariana Ramos Correia | Iluminação: António Rebocho | Espaço cénico, figurinos e adereços: CENDREV | Comunicação: Helena Estanislau | Fotografia e vídeo: Carolina Lecoq | Direção de produção e Gestão financeira: Cláudia Silvano | Programação e circulação: Patrícia Hortinhas | Costureira: Adozinda Cunha | Design gráfico: Alexandra Mariano | Apoio técnico: Beatriz Sousa e Fabrísio Canifa | Colaboração da equipa do TGR: Ana Duarte, Carlos Mavioso, Margarida Mouro, Miguel Madeira, Sílvia Rosado e Tomé Baixinho | Distribuição: Vítor Fialho | Limpeza: Fernanda Rochinha | Tradução LGP: Associação de Surdos de Évora – Núria Galinha |Agradecimentos: Câmara Municipal de Arraiolos e Câmara Municipal de Évora
Apresentações anteriores:
Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra
16 de Abril, 19h00. 2025.
Mora
18 de abril, às 21h30. 2025.
Teatro Garcia de Resende, Évora
21 a 26 de abril, 19h00. 2025.
Casa da Música Jorge Peixinho, Montijo
27 de Abril, 16h00. 2025.
Évora
26 de novembro, 19h00. 2024 – Escola Primária do Bairro de Almeirim
Graça do Divor
21 de novembro, 19h00. 2024 – Novo Espaço Recreativo de Nossa Senhora da Graça do Divor (Antigo Lavadouro)
Biblioteca Municipal de Arraiolos
25 de outubro, 2024 – 21h30
26 de outubro, 2024 – 18h00
Bilhetes disponíveis na bilheteira do Teatro Garcia de Resende e online em bol.pt.
Contacto da bilheteira:
Telefone: 266 703 112
E-mail: geral @ cendrev.com
Segunda a sexta-feira: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Em dias de espetáculo: abertura duas horas antes do início
Aos sábados e domingos de manhã: abertura uma hora antes do início do espetáculo
Não se efetuam reservas.
Jeremias Peixinho
Fotografia: Carolina Lecoq
Classificação etária: M/6
Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz – 17h30
Outras datas:
Évora, Teatro Garcia de Resende:
24 de novembro a 11 de dezembro, 2022
Horário: 18h30 (quarta a sábado) | 16h00 (domingo)
Sessões de língua gestual dias 3 e 4 de dezembro, 2022
Sessões para escolas, de 3 a 5 e de 8 a 12 de maio, 2023 : 10h30 e 15h00
Coimbra, Teatro da Cerca de S. Bernardo:
Dias 20 e 21 de janeiro, 2023
ARRE – Teatro da Rainha (Caldas da Rainha)
9 de janeiro, 10h30 e 14h30
Organização: CENDREV | Câmara Municipal de Évora
Apoios: DGArtes, IEFP | Estrutura pertencente à Rede Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP)
Media partners: Registo, Diário do Sul e Telefonia do Alentejo
Preço: 8€ (descontos para estudantes, seniores, grupos e famílias)
Sessões para escolas gratuitas.
Bilhetes disponíveis na bilheteira do Teatro Garcia de Resende e online em bol.pt.
Contacto da bilheteira:
Telefone: 266 703 112
E-mail: geral @ cendrev.com
Segunda a sexta-feira: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Em dias de espetáculo: abertura duas horas antes do início
Aos sábados e domingos de manhã: abertura uma hora antes do início do espetáculo
Não se efetuam reservas.





