A Parábola – Concerto Monográfico
Carlos Alberto Augusto
9 de setembro, 2025
Teatro Garcia de Resende
Évora
M/6
60 minutos
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A Parábola é um ciclo de peças de teatro-música, para músicos-actores, solistas, que interpretam o seu instrumento, com uma componente adicional de electrónica em suporte, dizendo, simultaneamente, um texto.
Os textos de cada uma das peças que integram este projecto têm origem no livro The Parable of the Beast, de John Bleibtreu, um jornalista que, na década de 60 do século passado, se dedicou ao jornalismo de ciência.
O texto de cada peça é uma espécie de libretto, construído a partir do texto original. A componente electrónica é produzida a partir dos sons dos instrumentos para que cada peça é concebida, processados electronicamente, nalguns casos, a partir dos próprios instrumentos em que são executados.
Em jogo está, pois, a tensão entre a execução do instrumento e a electrónica, a tensão entre a situação particularmente exigente para o executante, que resulta do facto de ter de tocar o que está escrito e falar normalmente, e a tensão da própria história. Um verdadeiro desafio para a música contemporânea.
A série começou em 2001 com a peça Acinese (Akinesis, em inglês, no original), numa versão, estreada pela violetista canadiana Laura WIlcox. Continuou com a peça para marimba, glockenspiel e woodblocks, O Momento de Ser, (no original The Moment of Being,) estreada em 2007, por Pedro Carneiro. Continuou com A Observação do Tempo, para tarolas, estreada em 2023 por Andrés Pérez, e conta agora com mais uma estreia: a peça A Lei Natural, para guitarras clássica e viola barroca. As peças que agora são executadas, fazem parte do ciclo que inclui ainda outras para contrabaixo, vibrafone e piano.
Trata-se de uma leitura do conceito de teatro-música muito particular, que resulta, em grande medida, do meu profundamente envolvido nesta área desde há décadas. Por detrás destas peças está uma larguíssima experiência na área da música para teatro. É um aspecto da minha obra que visa criar novos desafios aos solistas que executam esta música única, explorar novas técnicas instrumentais e tecnológicas, criando assim uma inusitada simbiose da palavra com a música num ritual único. A Parábola é também, é justo dizê-lo, um piscar de olho a Luciano Berio, compositor que muito admiro, às suas Sequenze e a tantas outras obras do compositor que muito me marcaram. Trata-se, simultaneamente, de uma singela homenagem a Berio, neste ano em que se comemora o centenário do seu nascimento.
O presente concerto inclui quatro peças, para quatro solistas (viola de arco, marimba, tarolas e guitarra clássica e viola barroca). A peça de guitarra clássica ouvir-se-á em estreia absoluta. Trata-se da reunião de solistas de gabarito internacional, num empolgante e desafiante género, que coloca novos problemas de natureza técnica e artística.
Carlos Alberto Augusto
Biografias
Carlos Alberto Augusto
Compositor, designer sonoro, especialista em comunicação acústica, ensaísta, pedagogo, Carlos Alberto Augusto estudou com duas figuras de relevância mundial, os compositores canadianos R. Murray Schafer e Barry Truax, e sob a orientação deste último completou o mestrado em comunicação hipermédia interactiva na Universidade de Simon Fraser, em Vancouver, Canadá.
Como compositor e designer sonoro, o seu trabalho centra-se sobretudo na área do teatro, video e tecnologias interactivas, sendo também autor de uma ópera e diversas obras para várias formações musicais e de electroacústica.
Uma vastíssima experiência no domínio da música e design sonoro para teatro marca a sua carreira e reflecte-se também nos outros domínios da música que explora. São 40 anos de actividade e a participação em mais de 60 peças. É a ele que se deve a criação do conceito pioneiro de cenário acústico. O teatro está assim presente na esmagadora maioria da actividade que desenvolve também no domínio música, com incursões na ópera, e, sobretudo desde 2001, uma produção regular no domínio do teatro-música, onde também s insere a sua recentemente estreada obra Marthiya de Abdel Hamid, para voz e electrónica em tempo real.
Jorge Alves (viola de arco)
Jorge Alves é presidente do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Porto. Para alé da sua carreira como solista, é membro do Quarteto de Cordas de Matosinhos e do Ensemble Sound’arte. Estreou-se como solista com a Orquestra Académica Metropolitana em 1996, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém. Desde então tocou a solo com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Sinfonieta de Lisboa, Orquestra Artave e Orquestra de Cordas Esart. Colabora regularmente com as principais instituições musicais portuguesas e tem tocado nas mais prestigiadas salas do nosso país. Como violetista de câmara já tocou ao lado de António Saiote, Paulo Gaio Lima, Pedro Burmester, Gerardo Ribeiro, Xavier Gagnepain, António Rosado, Miguel Borges Coelho, Nuno Pinto, Yuri Nasushkin, Igor Sulyga, Stefan Popov. Fora do país apresentou-se em Espanha, França, Alemanha, Escócia, Inglaterra, Suíça, Itália, Holanda, Eslovénia, Bélgica, Brasil e China. Para além de uma atividade intensa em música de câmara, Jorge Alves dedica uma especial atenção à criação musical contemporânea, tendo já realizado dezenas de estreias.
Andréz Pérez (percussão)
Iniciou os seus estudos musicais na Argentina de onde é natural. Em 2001 ingressou na Escola Profissional de Música de Espinho no curso de percussão, onde esteve sob orientação dos professores Rui Sul Gomes, Nuno Aroso, Helena Pereira, Pedro Oliveira e Joaquim Alves. É licenciado em Ensino de Música pela Universidade de Aveiro, tendo sido orientado pelo professor Mário Teixeira. Frequentou vários workshops e masterclasses orientados por Emmanuel Sejourné (França), Miguel Bernat (Espanha), George Ellie Octors (Bélgica), Machume Zango (Moçambique) e Nicholas Perazza (Uruguai), entre outros. Colabora com várias orquestras, nomeadamente com a Orquestra Clássica do Centro (Coimbra) e Orquestra Filarmonia das Beiras (Aveiro). Acompanhou solistas como Mark Ford (EUA), Pedro Carneiro (Portugal) e Ching Cheng Lin (Taiwan), Miguel Cruz (México), entre outros. Pertence aos projetos Simantra Grupo de Percussão, Ósmavati Klezmer Band e Ensemble 23 Milhas. Apresentou-se em vários festivais conceituados, nacionais e internacionais, com destaque para o Festival da Primavera (Viseu), Tomarimbando (Tomar), Festival Internacional de Percussão de Portimão, Groove Alentejo, Festival de Percusion da Patagónia (Argentina), Festival de Percusion e Marimbistas de Tabasco (México) e International Percussion Ensemble Week (Croácia).
Faz parte da direcção e leciona no Conservatório de Música de Coimbra, e também na Academia de Música de Cantanhede e na Escola de Música da Filarmónica Gafanhense. Enquanto elemento do Simantra GP é artista Adams, Sabian, Sonor, Mike Balter e é endorser da Castanheira – Só Música e Percustudio.
Pedro Rodrigues (guitarra clássica, viola barroca, et all)
Vencedor do Artists International Auditions (Nova Iorque), Pedro Rodrigues é também galardoado no Concorso Sor (Roma), Prémio Jovens Músicos e premiado nos concursos de Salieri-Zinetti, Paris, Montélimar, Valencia, Sernancelhe entre outros, Pedro Rodrigues iniciou o seu percurso musical aos 5 anos, tendo estudado com José Mesquita Lopes.
Posteriormente estudou com Alberto Ponce na École Normale de Musique de Paris onde recebeu os Diplomas Superiores de Concertista em Música de Câmara e Guitarra, este último com a classificação máxima, unanimidade e felicitações do júri. Concluiu em 2011 o Doutoramento na Universidade de Aveiro.
Tocou em salas reconhecidas internacionalmente como o Carnegie Hall de Nova Iorque, a Salle Cortot de Paris, National Concert Hall de Taipei, Ateneo de Madrid, gravou 10 discos e foi solista com diversas orquestras.
É igualmente convidado com regularidade para leccionar classes de alto aperfeiçoamento em conservatórios e universidades na Europa, América do Norte e Sul, África e Ásia.
José Cruz (percussão)
Natural de Coimbra, é Mestre de performance em Percussão Clássica com
especialização em Marimba e Multi-percussão. Frequenta actualmente a Classe do Dr.
Chin-Cheng Lin, marimbista de renome internacional na LUCA School of Arts na
Bélgica. Durante a sua formação académica de nível superior, dedicou-se ao
aperfeiçoamento técnico e artístico da percussão, explorando tanto o repertório
tradicional quanto abordagens contemporâneas e inovadoras. Ao longo deste
percurso, teve a oportunidade de estudar com músicos e professores da área, como Carlo
Willems (BE), Ludwig Albert (BE), Pieter Mellaerts (BE) e Luk Artois (BE).
Simultaneamente, de modo a aprofundar os seus conhecimentos práticos e técnicos
do estudo da Percussão, participou em vários workshops e masterclasses orientados
por Pieterjan Vranckx (BE), Igor Lesnik (CRO), Francesca Santangelo (IT), Chris
Leenders (NL), Nicolas Martynciow (FR), entre outros. O seu trabalho reflete um
equilíbrio entre a tradição e a procura de novas formas de interpretação e de
performance.
No presente ano, o duo composto por José Cruz e Ilkka Haapanen concluiu o Mestrado
de Música de Câmara na LUCA School of arts. Sob a orientação do professor João
Carlos Victor o duo desenvolveu, como projeto final, um recital que englobou a
comunidade. Esta iniciativa procurou, não só, a excelência artística, mas também a
partilha cultural e inclusão da percussão clássica na cidade, promovendo a música de
câmara como um meio de interação cultural e social.
Com uma visão artística que junta a uma técnica sofisticada, criatividade e sensibilidade interpretativa, José Cruz procura construir uma carreira marcada pela excelência e pelo compromisso com a arte, estando sempre à procura de novos desafios e oportunidades para expandir os horizontes da percussão e da música de câmara.
Fotografia: Margarida Araújo
Programa
O momento de ser
(marimba, glockenspiel, et al, electrónica)
José Cruz
Acinése (viola de arco, electrónica e voz)
Jorge Alves
A observação do tempo (tarolas, electrónica e voz)
Andrés Pérez
A Lei Natural (guitarra clássica, guitarra barroca, electrónica e voz)
Pedro Rodrigues
Teatro Garcia de Resende
9 de setembro, 2025
18h30
