Ñaque ou sobre piolhos e actores

“ÑAQUE… Dois homens que apenas trazem consigo uma barba de samarra, que tocam tamborim e cobram a meio-vintém… Que vivem satisfeitos, dormem vestidos, caminham nus, comem esfomeados, despiolham-se no verão nas searas, e no inverno, com o frio, não sentem os piolhos…”

FICHA TÉCNICA:

Encenação e interpretação: José Russo e Jorge Baião
Cenografia e guarda-roupa: Helena Calvet
Partitura musical: Domingos Galésio
Iluminação: António Rebocho

21 de abril a 1 de maio, 2016
Teatro Garcia de Resende


Borda Fora

Michel Vinaver. Escritor e dramaturgo francês. Em 2006, ele foi premiado com o Grande Prêmio du Théâtre de L’Académie Française.

MICHEL VINAVER – SOBRE “BORDA FORA”

“Não há, em Borda Fora, personagem central a não ser à própria empresa,e, no interior da empresa, figuras mais do que personagens. Não sei se se pode ligar esse facto a de Gaulle e ao episódio histórico do gaullismo, mas em todo o caso o meu regresso ao teatro produziu-se através do apagamento da personagem. O que vem em vez da personagem não é um
vazio mas sim qualquer coisa de novo no meu percurso, de novo talvez mesmo num plano mais vasto, a saber que o lugar antes ocupado pela ou pelas personagens é agora ocupado por um sítio, e por uma população que habita esse sítio, uma existência plural à partida.
(…) sendo a empresa uma empresa de papel higiénico, é de merda que se trata em todos os Processos vitais e mentais da sociedade; mas mais precisamente, pode definir-se esta peça dizendo que ela põe em jogo a dupla hélice da digestão e da excreção. Esta dupla hélice, sem que tivesse havido alguma intenção metafórica, é o meio de contar como funciona o sistema económico em que nos encontramos, como funcionam as pessoas no meio desse sistema, e como há inter-relação entre o funcionamento do sistema € os diferentes funcionamentos individuais,
(…) Há, com Borda Fora, como que um reencontro com a linguagem. Com uma linguagem que não é forçosamente verdadeira ou certa em relação ao falso, são estas categorias que desaparecem. Elas voltarão depois, mas ali, naquela peça, elas desaparecem porque cada um dos que falam está a tal ponto ligado a uma função no sistema que a palavra, mesmo quando grotesca, e ela pode sê-lo como pode ser neutra, está enraizada. Há um enraizamento e, desse ponto de vista, há como que uma espécie de sobressalto de esperança em comparação com as outras peças. A palavra não tem um carácter devastado, e eu penso que isso tem a ver com uma deslocação do que tinha sido a minha referência até esse momento, isto é, a tragédia grega e também a comédia grega, para uma outra forma que é a epopeia, e muito precisamente a Ilíada. Enquanto trabalhava Borda Fora tinha a Ilíada em filigrana na cabeça porque, para mim, a guerra económica que eu contava tinha um carácter épico, não no sentido que Brecht dá ao termo, mas no sentido da epopeia homérica. Em que é que esta se define? De peripécia em peripécia, há uma jubilação do instante presente na sua realização; há uma ausência de medo perante a morte, de medo do futuro, uma ausência de relação forte com o passado; tudo está em pico, em cume sobre o instante. Ora parecia-me que o sistema económico em batalha, no momento em que eu escrevia Borda Fora, só podia ser compreendido através desta referência histórica à epopei

(Excertos duma entrevista de Michel Vinaver com Jean Loup Rivitre publicada no nº 47 de Repertoire du Théârre Populaire Romand)

 

 

Ficha Técnica:

Tradução: Christine Zurbach e Luís Varela
Encenação: Pierre-Etienne Heymann
Assistente de encenação: José Russo e João Sérgio Palma
Cenografia e Figurinos: José Carlos Faria
Organização musical: Gil Salgueiro
Adereços: António Canelas
Guarda-roupa: Natividade Pereira
Coreografia/movimento: Ana Moura
Direcção de produção: Josefa Costa
Direcção técnica e Iluminação: João Carlos Marques
Operação de luz: António Rebocho
Operação de som: Nuno Finote
Direcção de montagem/construção: António Galhano
Maquinistas: Joaquim Medina, Carlos Oliveira e Victor Fialho
Costureiras: Mariana do Vale, Vitória Almaça, Alcina Casbarra e Maria Teresa Ferreira
Fotografia de cena: Álvaro Corte-Real e Nuno Finote
Grafismos: Cristina Oliveira e Acácio Carreira
Secretariado: Ana Pereira
Registo de vídeo e apoio publicitário: Cendrevídeo
Técnicos de iluminação: António Plácido e António Rebocho

Músicos/execução musical: Gil Salgueiro Nave, António Baguinho e Luís Cardoso
Bailarinos: Carla Fernandes, Carlos Rosado e Nélia Pinheiro

Actores: Fernando Mora Ramos, Mário Barradas, Carla Fernandes, Nélia Pinheiro, Carlos Rosado, João Sérgio Palma, Rui Nuno,
Isabel Lopes, Isabel Bilou, Álvaro Corte-Real, José Russo, Victor Santos, Jorge Baião, António Plácido, João Azevedo, Vicente deSá, Ana Meira, Maria João Toscano, Rosário Gonzaga, Gil Salgueiro Nave, António Baguinho e Luís Cardoso

 

Datas em circulação:

Estreia no Teatro Garcia de Resende, Évora, em outubro de 1991

Évora: 26 sessões, 3.027 espectadores
Digressão: 7 sessões, 751 espectadores


Pequeno Peso Pluma

FICHA TÉCNICA:

Encenação: Fernando Mora Ramos
Assistente de encenação: Rui Nuno s
Cenografia e Figurinos: Vasco Fernando
Música: Gil Salgueiro Nave
Adereços: Vasco Fernando, acompanhado por Isabel Bilou
Guarda-roupa: Natividade Pereira
Direcção de montagem/construção: António Galhano, assistido por Joaquim Medina

Actores: Maria João Toscano, Jorge Baião e Vicente de Sá

 

Datas em circulação:

Estreia no Cineteatro de Arraiolos, em novembro de 1990

Évora: 11 sessões, 1.045 espectadores
Digressão: 23 sessões, 1.827 espectadores


Ciúmes, Queixumes e Azedumes

Miguel de Cervantes  (1547–1616), é considerado o maior escritor da literatura espanhola e autor da obra-prima “Dom Quixote de La Mancha” (1605), revolucionou a narrativa moderna com sua mistura de humor, tragédia e crítica social. Sobrevivente da Batalha de Lepanto (onde perdeu a mão esquerda), Cervantes enfrentou prisão, dívidas e obscuridade antes de alcançar imortalidade literária. Sua obra, uma sátira aos romances de cavalaria, tornou-se símbolo universal da luta entre idealismo e realidade, solidificando seu legado como “pai do romance moderno”.

O texto desta peça é construído a partir de 3 dos 8 entremezes conhecidos de Cervantes; o Velho Ciumento, A Gruta de Salamanca e O Soldado Vigilante. Entremés é uma obra dramática que se apresenta nos intervalos de uma obra maior, e sua função era entreter as pessoas.
Para nos ajudar a entender os entremeses, Garrido Ardila oferece-nos a sua perspetiva sobre estas obras cervantinas: “…’Cervantes transforma os arquétipos das gerações anteriores em seres de carne e osso, com seus defeitos, virtudes e problemas, que falam em uma linguagem de múltiplos registros, ouvida na rua, mas submetida a um processo criativo renovador'”.

 

 

FICHA TÉCNICA:

Encenação: Mário Barradas e Gil Salgueiro Nave
Assistente de encenação: João Sérgio Palma e Rui Nuno
Dramaturgia: José Carlos Faria
Cenografia e Figurinos: José Carlos Faria
Música: Gil Salgueiro Nave
Guarda-roupa: Natividade Pereira
lluminação/desenho de luz: António Plácido
Direcção de montagem/construção: António Galhano
Costureiras: Victória Almaça, Celeste Passinhas, Margarida Veiga e Ana Maria Veiga
Mestra de bailado: Amélia Mendonza
Equipa técnica: António Plácido e Vicente de Sá
Músicos/execução musical: João Sérgio Palma e Luís Cardoso
Actores: Rosário Gonzaga, Ana Meira, Victor Santos, João Sérgio Palma, Rui Nuno, José Russo, Isabel Bilou, António Plácido, Gil Salgueiro Nave, Vicente de Sá e Luís Cardoso

 

Datas em circulação:

Estreia em agosto de 1990

Évora: 8 sessões, 1.027 espectadores
Digressão: 15 sessões, 2.654 espectadores


Físicos e Farelos

Gil Vicente (c. 1465 – c. 1536) é considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, ator e encenador. É considerado o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico, já que também escreveu em castelhano — partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina.

 

FICHA TÉCNICA:

Encenação: Fernando Mora
Cenografia e Figurinos: João Vieira
Música: Gil Salgueiro Nave
Iluminação/desenho de luz: António Rebocho e António Plácido
Direcção de montagem/construção: António Galhano
Técnicos: Jorge Baião e Nuno Finote

Actores: Fernando Mora Ramos, Álvaro Corte-Real, Victor Zambujo, Jorge Baião, Isabel Lopes e Maria João Toscano

 

Datas em circulação:

Estreia no Teatro Garcia de Resende, Évora, em agosto de 1990

Évora: 24 sessões, 2.820 espectadores
Digressão: 17 sessões, 1.831 espectadores


A Ilusão Cómica

Pierre Corneille foi um dramaturgo de tragédias francês. Geralmente considerado um dos três grandes dramaturgos franceses do século XVII, junto com Molière e Racine.

Esta peça pode ser considerada como o fim de uma aprendizagem, durante o qual o autor demonstra suas proezas literárias. Em A Ilusão Cómica, Corneille faz uso de todos os gêneros teatrais: o primeiro ato é um prólogo inspirado no estilo pastoral, os seguintes três atos são uma comédia imperfeita com o personagem ridículo Matamore no centro. O quarto e o quinto atos evoluem para uma tragicomédia com seus episódios de rivalidade, prisão e até morte. A ilusão Cómica é, portanto, um resumo de um universo teatral, e é nesta peça que Corneille mostra seu domínio do teatro como um todo.

 

 

FICHA TÉCNICA:

Tradução: Regina Abramovici
Encenação: Fernando Mora Ramos
Assistente de encenação: VIctor Zambujo e joão Sérgio Palma
Cenografia e Figurinos: José Carlos Faria
Música: Carlos Alberto Augusto
Máscara: Victor Zambujo
Guarda roupa: Natividade Pereira
Direcção de produção: José Alegria e Carlos Mota
Banda sonora/sonoplastia: Nuno Finote
Iluminação/ desenho de luz: João Caros Marques, António Plácido e António Rebocho
Direcção de montagem /construção: António Galhano
Fotografia de cena: Nuno Finote
Grafismos: Olga Moreira
Secretariado: Ana Pereira
Actores: Rui Nuno, Victor Santos, Mário Barradas, João Sérgio Palma, Isabel Bilou, Victor Zambujo, Rosário Gonzaga, José
Alegria e Jorge Baião

 

Datas em circulação:

Estreia em Abril de 1990

Évora: 19 sessões, 478 espectadores


Informações e reservas:
(+351) 266 703 112 | Contacto

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